domingo, 8 de junho de 2014

É pá, nem sei para que lado me vire…


1. Uma e meia da manhã. Aaa… aquela coisa, hum… a peladinha, pá, uns moços de azul e branco (raios!…) a tocar a bola para os lados, meu… contra uns mexicanos vestidos de verde…
O Taradeia, o Giuberrrto, o ‘Pó’Serjo… trica, troca, patetices, irrelevâncias, dichotes. RTPortoCanal-2, milhões e milhões pelo bueiro, todos os anos… Os meus impostos a pagar ordenados e mordomias destas ‘mariazinhas’. Logo três (!), porque é que não mandam só um? Por que é que não mandam… nenhum?! Basta uma banda sonora com umas anedotas do Badaró.
Vou mas é…
Zzzzzzz
2. O Seara, méne, o Rangel, e tal, e não sei quê. Os gajos são do Benfica, pá (que depressão…). Tanguistas tangueados, tangueando-se, procurando tanguear-nos. Muppets, puppets!
[Os estatutos da Liga permitem a eleição de invertebrados? Que diabo, uma alforreca…].
‘Meus senhores, aquela candidatura que tem o meu nome não é minha. A minha é a que tem o meu nome! Isto, para que não restem quaisquer dúvidas, vá lá ver!’
E o Rui Papalves, bronco, bronco, barrigudo, boçal, a bailar o bailinho? Que corja!
Os outros gajos é que devem estar a gozar à brava. Finalmente, vão poder reunir no quentinho, ou no fresquinho, bombas de gasolina é que nunca mais, porra! Qualquer um serve (puppets, muppets). Bem, quer dizer, um(ns) serve(m) melhor do que os outros. 'Qual é que preferes, ó?!'. 'Você é um génio, carago!...'.
3. Que raio de equipa vai o Glorioso ter para o ano? Segundo os digníssimos senhores jornalistas (olha a minha carteira profissional, pá! olarila!) já foram todos vendidos 4 ou 5 vezes (isto não dá coima da cêémevêéme?!). A lista de compras, então, é um ver se te avias. Quando for grande quero ser jornalista desportivo. ‘Génova não esquece Amorim’, ‘Águias voltam à carga por Cristante’, ‘Águias oferecem 7,5 milhões por Manolas’, ‘Valência segue de perto João Cancelo’. Que elegância, que estilo, que finesse!
4. Bem, esqueçamos os abcessos, alegremo-nos, está na hora do Hóquei, ora vamos lá!. Olha, olha. Mau, mau! Outra vez gajos equipados de azul. Mas agora é a camisola que é azul, e sopram no apito. Espera aí, aquele não é o gajo de Valongo?!
Boa, boa, toma, toma, um, dois, três, quatro! Espera lá, chegámos aos 4 a 0 demasiado depressa. Soam as campainhas, os bois de azul começam a salivar como cães de Pavlov, e aí vem fruta. Chega o intervalo e lá nas cabines o reflexo condicionado é reforçado. Estão no ponto! Segunda parte, e ainda mais fruta! Saldos da fruta: 5 livres directos, 3 penaltis, três cartões azuis, 2 cartões vermelhos…
Lá passámos, mas crivados de balas. Amanhã há mais…
[Esta merda cansa-me, agonia-me até ao centro do âmago das profundezas do íntimo…]
5. Ao menos, a ver se me destraio com o telejornal. Olha o Bruno, pá! O gajo anda pelas américas, na babugem da selecção, a ver se tem visibilidade. Lá lhe põem um microfone à frente. O moço mete mais umas ironias, no seu tom monocórdico grasnante-metálico (tem um problema nas cordas vocais e fala por um sintetizador).
‘Benfica e Porto têm uma aliança escondida há 12 anos’.
[Huuum… De quem será a aliança que eles têm escondida? E quem ficará com ela, o Frodo ou o Gollum?]
6. Zapping, toca a mudar de tema, de ‘futeboys’ já tenho a minha conta. Política, política. O Tó Zé diz que o Costa… O Costa manda alguém dizer que o Tó Zé… Primárias (primários?!) em Setembro (ah é, ainda deste ano?). Vão ser quatro meses de fartote, e o país a lixar-se.
Passos manda 'clarear' o Constitucional, o Constitucional manda o Passos à… Portas arroubado, trancas na crise? Espera que logo vês!...
7. Desisto. Levanto-me, penosamente, dói-me a existência (e a Maria que nunca mais chega…). Pego num copo, encho dois dedos. Hum!... A macieza deste malte... Que conforto. Sabe a ‘mel’…
Ponho um disco de Hancock, recosto-me no cadeirão, fecho os olhos, suspiro fundo, e deixo-me embalar ao som de Dolphin Dance…

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Che Guevara e o futebol


Num post que coloquei há tempos (“Garay é um central bárbaro!”), por entre divagações sobre os meus mitos argentinos, assinalei alguns dos filhos mais ilustres desse fascinante país.

É claro que outros ficaram por referir, desde o grande Quino e a sua irreverente Mafalda, ao actual Papa Francisco. De Juan Manuel Fangio, talvez o maior piloto de todos os tempos, a Carlos Monzón, campeão mundial de pesos médios.

Porém, apenas uma omissão foi, verdadeiramente, imperdoável: El Che!...

Ernesto Guevara, de seu nome de registo, assinando por vezes como Ernesto Guevara Serna, associando o apelido da sua mãe; imortal e eternamente conhecido como Che (por usar, a todo o tempo, essa popular interjeição argentina, de saudação ou de chamada de atenção), nasceu a 14 de Maio de 1928, em Rosário, Argentina, e morreu em 9 de Outubro de 1967, em La Higuera, Bolívia, assassinado pelos militares, com a colaboração da CIA.

Mito maior entre os mitos, ícone imortalizado no perene e vívido retrato de Alberto Korda, milhões de vezes reproduzido, Che Guevara, mais do que um revolucionário romântico, foi, sobretudo, um firme e duro combatente pela emancipação dos oprimidos e a libertação dos povos, pela criação de um “hombre nuevo”, movido por uma ética de solidariedade e bem comum. Um dos Comandantes da Revolução cubana, que quis estender à América Latina e a todo o mundo, luta pela qual deu a vida, aos 39 anos de idade.

Formado em Medicina, interessado por economia, literatura (de Emíio Salgari e Júlio Verne, na sua jovem adolescência, a Baudelaire, Kafka, Miguel Ángel Asturias, Neruda), e filosofia (Sartre, Camus), Che Guevara foi também um grande entusiasta por desporto e, naturalmente, por futebol.

Fortemente asmático, desde os dois anos de idade, não deixou que as limitações e dificuldades que a doença lhe colocava o impedissem de praticar desportos, como o rugby e o futebol.

Adepto do Rosário Central e grande fã de Alfredo Di Stéfano, o Che fazia as suas peladinhas, jogando a guarda-redes.

Em 1952, aos 24 anos, o Che empreendeu uma viagem de sete meses, em motorizada, por vários países da América do Sul, na companhia do seu amigo Alberto Granado.

Esta viagem, pela Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Venezuela, proporcionou-lhe uma vivência directa da realidade humana, e um contacto com os sectores mais populares, excluídos e explorados da América Latina, uma inesquecível experiência que, no dizer do Che, provocou uma profunda mudança na sua atitude perante a vida.

Che Guevara e Alberto Granado relataram a sua experiência em ‘diarios de viaje’, posteriormente conhecidos como Diarios de Motocicleta, em que o brasileiro Walter Salles se baseou para realizar um filme, em 2004.

No seu diário (Ernesto Guevara, Diários de Motocicleta. Planeta, Buenos Aires, 3ª edição, 2003), o Che relata um episódio delicioso. Já nos últimos meses de viagem, ele e Granado partem do Perú e descem o rio Amazonas, de balsa (a motocicleta, a que chamavam Poderosa II, há muito que tinha ‘morrido’, algures, em pleno Chile), aportando ao povoado de Leticia, já na Colômbia, com o intuito de apanharem transporte para a capital, Bogotá.

Com escassos recursos, e embora bem recebidos pela população que lhes forneceu alojamento e alimentação, os dois amigos não dispunham, porém, de meios para pagar a passagem e respectiva bagagem, no hidroavião que fazia a ligação a Bogotá, pela qual, ainda por cima, teriam que esperar cerca de duas semanas.

Seria o futebol a salvar a situação… A fama do enorme talento dos argentinos para o futebol já então corria a América Latina e meio mundo. Naquela altura, Di Stéfano e Adolfo Pedernera (outro enorme talento argentino) faziam miséria, precisamente, na Colômbia, no Millonarios de Bogotá, numa super-equipa designada de ‘Ballet Azul’, que ganhou vários campeonatos seguidos e viajou pela Europa, tendo vencido o Porto por 2-1.

Ora, sendo Che e Granado argentinos de gema, acabaram contratados, como treinadores, por um clube de futebol local. A sua intenção era, apenas, treinar a equipa, mas, diz o Che: “Como eram muito maus, decidimos jogar também”.

Logo tem lugar um torneio-relâmpago, com a equipa do Che na cauda das expectativas, por ser a mais fraquinha. O certo é que, com o Che a guarda-redes e Granado como maestro, a equipa ganha jogo atrás de jogo, apenas perdendo a final, nos penaltis…

Granado logo ganhou a alcunha de ‘Pedernerita’ pela sua semelhança com Adolfo Pedernera e os seus passes milimétricos. Quanto ao Che defendeu um penalti que ficou na história do futebol de Leticia.

Embora não seja referido nos ‘Diários’, conta-se que, chegados a Bogotá, Che e Granado tiveram um encontro com o ídolo Alfredo Di Stéfano que lhes arranjou dois bilhetes para assistirem a um jogo amistoso entre o Millonarios e o Real Madrid que viria depois a contratar Di Stéfano, num processo atribulado, com o Barcelona pelo meio.

Outra história curiosa envolve o Madureira Esporte Clube, do Rio de Janeiro, fundado em 1932 e que tem como mascote o papagaio Zé Carioca. Actualmente a disputar a Série C do Campeonato Brasileiro, o Madureira nunca alcançou mais do que o segundo lugar no campeonato estadual.

Porém, no início dos anos de 1960, o Madureira teve alguma notoriedade, sobretudo com as suas viagens pelo exterior, detendo o recorde do clube brasileiro com maior permanência fora do país, mais precisamente, 144 dias (!), no ano de 1961, com 36 jogos realizados na Europa, Ásia e Estados Unidos, obtendo 23 vitórias, 3 empates e dez derrotas.

Os jogos amistosos eram negociados pelo Zé da Gama, português que presidiu ao clube no biénio de 1959-60 e era empresário de futebol.

No ano de 1963, nova tournée, agora pela América Latina, com jogos disputados na Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México e Cuba.

Em Cuba, o Madureira disputou e venceu cinco jogos, dois dos quais com a selecção de Havana. No segundo jogo Che Guevara, então ministro da indústria, assistiu à partida e confraternizou com os jogadores (ver fotos).

No ano passado, o Madureira, para celebrar os 50 anos deste acontecimento, colocou o célebre retrato do Che nos equipamentos, ao que parece alcançando um novo recorde, agora em número de vendas…
 


 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Trampa e mais trampa!…


Que os candidatos à presidência da Liga são uma trampa, já sabíamos.

O sistema, um esterquilínio (diria o bom velho Camilo!...).

A arbitragem, uma estrumeira.

O Oliveiredo, matéria fecal.

Os media, uma ‘mérdia’.

Mas as ironias do Bruno de Carvalho são uma bosta.

As suas discursatas, uma evacuação.

A sua pose, cagança.

(Desgraçadamente, o fedor não é objecto de monopólio, nem de abuso de posição dominante.)

A selecção é uma 'caca'.

A FêPêFê, um monturo.

O(s) poder(es) do Jorge Mendes, excrementício(s).

A UEFA e a FIFA, uma imundície.

(O ‘defeso’ é uma merda! E ainda agora começou, não sei se aguentarei…)

 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Ainda a entrevista de Aimar a Osvaldo Wehbe


Referi-me em post anterior a uma entrevista de Aimar a uma rádio argentina. Infelizmente, utilizei uma fonte secundária, ou seja, uma transcrição parcial da entrevista, publicada num site de outro órgão de comunicação argentino.

Bem andou o Cabelo do Aimar que procurou a entrevista original, a traduziu e postou. É assim mesmo que se faz. Era isso que devia ter feito.

A fonte em que me baseei não incluía, entre outras coisas, as referências de Aimar ao Benfica e a Eusébio (enorme, para sempre, Pablito!).

A entrevista integral é ainda mais deliciosa do que o extracto em que me baseei.

Aimar é um jogador especial porque tudo nele é ‘superior’: a técnica, a inteligência, a personalidade, o carácter. Dentro e fora de campo.

Estava escrito nos astros que alguém assim não poderia deixar de passar pelo Benfica e ficar com o Benfica no coração.
Deixo, abaixo, uma pequena preciosidade: o puto Messi a falar sobre Aimar e vice-versa…