sexta-feira, 27 de junho de 2014

“Agora Falando Sério”


Foi-se a ilusão do samba, no fado triste, ‘jogado’, falado, nos cantos deste pobre quintal.

Tanto embuste, fruste, tanta manobra interesseira, e a culpa a morrer solteira…

A Selecção como pretexto.

Para o Gomes, um tacho na FIFA.

Para o Mendes, as negociatas.

Para o Ronaldo, a bota de ouro, a imagem, os contratos.

Para o Meireles, exibir as tatuagens.

Para a RTP, reduzir, desesperadamente, os prejuízos, montando um circo hiperbólico e lamentável em torno do altar do Deus Ronaldo.

E na Selecção como representação do futebol (sim, apenas do futebol) de um país, alguém pensou?

O Bento pôs à frente as fidelidades pessoais e formou uma equipa de ‘handicapados’.

O Jones pôs-se atrás dos ‘índices de suspeição lesional’, e lavou as mãos no ‘éter’.

Tanta falsa ilusão criada no espírito dos portugas espalhados por esse mundo fora…

O que fica desta ‘representação’?

Uma imagem de irrealismo, incompetência, incapacidade, fraqueza, disfuncionalidade.

E agora? Agora está tudo bem, é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma…

 
Agora falando sério
Eu queria não mentir
Não queria enganar
Driblar, iludir
Tanto desencanto
E você que está me ouvindo
Quer saber o que está havendo
Com as flores do meu quintal?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal

 
(Chico Buarque, Agora Falando Sério)



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Perplexidades…


1. “A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD, (…) informa que chegou a acordo com o FC Zenit para a transferência a título definitivo dos direitos desportivos e económicos do atleta Ezequiel Marcelo Garay Gonzalez, pelo montante de € 6.000.000 (seis milhões de euros) (…)”.

O Garay, do melhor que vi passar pelo estádio do Glorioso, que tinha uma cláusula de rescisão, baixíssima, de 20 milhões de euros?!...

Já li ‘éne’ teorias, mais ou menos elogiosas, acusatórias ou ‘calculistas’ sobre esta venda. Mas eu cá sou um pobre sócio, anónimo e ignorante, nada sei de teorias. Pago as quotazinhas, incluindo as modalidades, vasculho o fundo das algibeiras para comprar o meu cativo, apoio a equipa. Senhor Presidente, digníssima Direcção, agradecia uma explicaçãozinha, tão objectiva como o comunicado à cêémevêéme. Sem ofensa, desculpem qualquer coisinha, sim?...

2. A selecção já foi eliminada ou não? Confesso que ainda não percebi. É que eles andam a falar como se já tudo tivesse acabado, mas depois dizem que afinal ainda falta um jogo, e que há milagres, e estão cheios de ganas para o Gana… E o Pepe diz que, afinal, não deu nenhuma cabeçada porque, se tivesse dado, apanhava dois ou três jogos e a FIFA só lhe arrefifou um… E o ‘merda-reles’ afirma, solenemente, que, com o Gana, vão manter a mesma atitude que têm tido até aqui (o que é que raio isto quer dizer?)… Cá eu, nunca tinha visto um jogador a choinar no fresquinho do relvado, como o Burro Alves no segundo golo dos States…

E o Humberto Coelho (ó grande Humberto, como é que te prestas a esses papeis?!...) vem dizer que a FêPêFê não demite o Bento, mas não sabe se o Bento se demite. E o Bento diz que não se demite, e que sabe que a FêPêFê sabe que ele sabe que não se demite, mas ainda falta o Gana, e que depois vão-se sentar para conversar, mas não se demite, e ainda falta o Gana… O Bento bem queria, com estas declarações, por um ponto final na coisa. Mas logo os ‘comentadeiros’ e ‘jornaleiros’ desataram a teorizar sobre as diferenças conceptuais e semânticas entre ‘demitir-se’ e ‘pôr o lugar à disposição’… E ainda falta o Gana...

E o Jones a sair-se com aquela dos ‘índices de suspeição lesional’?! Xiça, esta malta sabe coisas tão complexas! Com estes termos caros como é que queriam que o Bento percebesse que os jogadores estavam em risco de cair que nem tordos?

E o Goâmes da FêPêFê, sempre escondido (parece o Madail), a mandar os outros chegar-se à frente. Deve andar ocupado com as faturas…

E outra coisa: quando são as folhas do Oliveiredo - Diário de Notícias, Jornal de Notícias e O Jogo - que estão na linha da frente da publicação de notícias anunciando e pressionando a demissão do Bento, não dá que pensar?!...

O Ronaldo, que queria fazer um grande mundial para terminar a época em cheio e fazer subir a sua cotação, disse que aos alemães até os comiam, e este era o mundial dos portugas. O Cristiano veio agora dizer que nunca lhe passou pela cabeça ganhar o mundial e que a equipa era limitadinha (grande capitão de equipa!), que ele táva ali a fazer o melhor pájudar (tão a ver, não é admirável?!), ele, que até podia nem ter ido ao Mundial, porque não táva bem, e até podia ter acabado a época com os troféus que tinha ganho, em vez de ir páli desgastar a sua imagem (lá baixou a cotação…). Tanto admiro o Ronaldo, como detesto o Cristiano… ou vice-versa…

3. Também estou perplexo comigo mesmo. O meu cérebro ainda não fundiu as impedâncias, com as performances das ‘mariazinhas’ da RTP no mundial. Há-as para todos os gostos. O Giuberrto, tipo ‘mariazinha’ sonsa (aposto que este moço teve uma infância difícil; devia ser um gorducho, de vozinha aflautada, a ensacar pancada na escola primária…). O Paulinho, tipo ‘mariazinha’ tonta, rainha das futilidades e baboseiras. O Taradeia, tipo ‘mariazinha’ monocórdica e obnóxia (em que é que os comentários do Taradeia se diferenciam de ruído de fundo: âabrrzzuurrezarreeveebzz?). Por cá, ficou o Albukerke (mas nem por isso fomos poupados), tipo ‘mariazinha’ histérica, com guinchinhos superlativos, cada vez que há uma jogada mais 'arrepiante'...

Andam todos de monco caído. Tinham montado um circo à volta do Ronaldo, para fazer subir as audiências e compensar a fortuna gasta pela RTP com as transmissões e as despesas da maltosa que enviou para o Brasil, mas a coisa saiu-lhes mal, e já devem andar apertados, a cortar nas despesas extraordinárias, e as férias a acabar mais cedo…

4. Será que o Suarez (não, não é esse...) também morde o cão?

Silly fucking season!



sábado, 21 de junho de 2014

Só se a equipa for esforçada, solidária e sem peneiras…


Esta selecção nacional não me entusiasma nada. Tem jogadores fracos, como o Ricardo Costa, ou vulgares, como o Bruno Alves e o Meireles, que só chegaram onde chegaram por terem vindo donde vieram, promovidos pela máquina do costume.

Na baliza, entre Patrício, Beto e Eduardo ainda prefiro este último. Lá na frente, nem vale a pena falar, e até simpatizo com o Postiga, como pessoa...

O que mais me aborrece, no meio de tudo isto, é o facto de a equipa ser incensada, como se tratasse de um conjunto de craques, e os próprios se comportarem como tal.

E o Ronaldo, único verdadeiro craque, nem sempre se percebe se a sua preocupação é a selecção (ou outra equipa onde jogue), enquanto tal, ou enquanto uma das vertentes da sua carreira (de futebolista e de imagem publicitária) que importa gerir cuidadosamente, porque os contratos são de muitos milhões…

Chamam-lhe a selecção do Mendes, mas não é por aí que me incomodo. Fossem quais fossem os jogadores, seriam sempre do Mendes, porque é o Mendes que tem o ‘poder’. Se, por milagre, estes jogadores fossem varridos e pusessem lá 11 ou 23 que não fossem do Mendes, uma semana depois eram todos do Mendes, porque ele ia lá ‘buscá-los’. Enquanto não acabarem com os Mendes e com os que estão por detrás dos Mendes, com baús de euros, dólares e rublos para ‘arejar’, pouco importa se são deste ou daquele.

Posto isto, acho que se a equipa for esforçada, solidária e sem peneiras, é possível vencer os EUA e, talvez, o Gana. Pelo que se viu hoje, se o Gana jogar como jogou com a Alemanha, um empate já será bom, esperando-se, depois, que a Alemanha não perca com os EUA…

Mas só com uma equipa capaz de assumir as suas debilidades e procurando colmatá-las, actuando compacta, se necessário atrás da linha da bola, de forma solidária, com todos e cada um a apoiar-se, com todos a assumir as suas responsabilidades e não endossando-as para o Ronaldo.

Com um Ronaldo sereno, a fazer o melhor que puder, sem passar o jogo a gesticular, com este porque falhou o passe, com aquele porque não lhe deu a bola, com o árbitro porque foi ‘mau’, com a relva porque cresceu ou 'fugiu', com a baliza porque se desviou, com o S. Pedro por ter inventado o(s) clima(s) do Brasil só para o lhe estragar a carreira.

Com um Ronaldo como um verdadeiro Capitão de Equipa, e não como Capital Marvel. Com um Ronaldo jogando e fazendo jogar. Com um Ronaldo que marca golos para a equipa, e não para exibir os músculos, de ícone publicitário, para o próximo vídeo promocional.

Se assim for, ou puder ser, então ainda há esperança…

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Nem com Mundial se calam…


Ainda acalentei esperanças (sem grande convicção, confesso) de que o Mundial e as múltiplas tendas de circo montadas à sua volta fornecessem ‘entretenimento’ suficiente para atrair e concentrar a atenção dos actores, fazedores de notícias e comentadores da nossa praça, deixando o Glorioso em paz, permitindo-nos suportar o ‘defeso’ sem maiores incómodos, que já bem basta o sofrimento de não vermos os nossos, de águia ao peito.

Também tinha esperança que Jorge Jesus, depois de ter dado várias entrevistas, de fundo e ‘meio-fundo’, finalmente se calasse e se dedicasse a preparar serenamente a próxima época.

Vãs esperanças…

Jesus, de novo transportado no ‘carro’ do Sol (do célebre Álvaro Sobrinho, que detém 24% da SAD do Sporting, e deixou ‘volatilizar’ mais de 5 mil milhões de dólares no BES Angola), lá debitou novamente ‘estórias’, em Angola. É claro que o jornal Sol, mais uma vez, vai fazer render o peixe duas semanas seguidas, uma, a anunciar, outra, a publicar a reportagem… A Bola aproveitou e já deu uns cheirinhos na edição de hoje. E o bom do Jesus lá falou de novo dos ‘éne’ convites para ganhar cinco ou seis vezes mais do que no Benfica, mas que não era o momento de sair, embora também não se veja como o Ferguson do Benfica, porque “Em Portugal isso é difícil, já estava a ser confuso para muita gente”. Nesta explicação, Jesus comparou Portugal com Inglaterra, mas não se lembrou de se comparar a si mesmo com Ferguson, e de encontrar aí algumas diferenças que, quiçá, também pudessem contribuir para a dita explicação…

Adiante.

Mas as minhas esperanças, vãs, assentavam, principalmente, no desejo de que o circo do Mundial e o futebol propriamente dito (que ainda resiste…), fossem suficientes para a gentalha dos jornais encher as capas e as folhitas.

Qual quê! A campanha em torno do Benfica estava há muito programada, com ou sem Mundial. A hecatombe da selecção portuguesa, e o ‘desaparecimento’ súbito e corajoso do ‘Capitão’ Marvel-Ronaldo (que levou o Patrício consigo - preservá-los, de quê e para quê/quem?) fez amainar o circo e ajudou a abrir espaço, e tem sido um ver se avias!

E, aqui, o jornal A Bola tem desempenhado um papel perfeitamente asqueroso! A forma, como, quase diariamente, de forma insistente e sistemática, se dedica a colocar fora do Clube os seus principais jogadores, ora para aqui, ora para acolá, está a ultrapassar todos os limites.

É evidente que esta campanha é alimentada e dirigida de fora, e não é por acaso: é direccionada sobretudo para A Bola, porque ainda continua a ser um jornal considerado como sendo da preferência dos benfiquistas.

Mas A Bola, hoje, não é mais do que uma pobre folha de couve. É com mágoa que o digo. Ainda sou do tempo da velha A Bola – Jornal de Todos os Desportos, compêndio de futebol, com Jornalistas (escrevo, propositadamente, com maiúscula) notáveis como Carlos Pinhão, Vítor Santos, Aurélio Márcio, Alfredo Farinha.

Num tempo, é certo, em que as transmissões televisivas ainda eram raras, era um gosto ler as crónicas dos jogos, autênticas narrativas, tantas vezes pictóricas, e não meras baboseiras ou bolsadas de lugares comuns, como hoje acontece.

Os artigos de opinião eram aprofundados e fundamentados, com excepções, evidentemente, e as notícias eram elaboradas com profissionalismo, com ética jornalística.

[Nunca me passou pela cabeça que o Alfredo Farinha fosse benfiquista, tal a sua isenção. Só depois de ‘reformado’ é que revelou as suas preferências clubistas e, como benfiquista, chegou a malhar forte e feio no Manuel Serrão, em programas de desporto na televisão. Isto mostra bem a cepa de que esta gente era feita].

Uma instituição, a velha A Bola. E como esta gente sabia escrever em excelente português! Também com excepções, claro. Lembro-me perfeitamente de algumas crónicas do ‘pequeno’ Rui Santos (o moço nunca foi ‘grande’, de facto), que, ainda jovem, entrara em A Bola pela mão do tio, o ‘grande’ Vítor Santos, e acompanhava os jogos dos juniores. As crónicas do ‘pequeno’ exibiam um português de uma pobreza confrangedora (a ortografia era, certamente, depurada pelos revisores, mas o resto era o diabo). Quando há uns anos atrás ouvi o ‘pequeno’ a mandar bitaites, sapientemente, sobre o mau português de Vieira e de Jesus, fartei-me de rir.

É claro que os tempos mudaram. A concorrência, a crise da imprensa escrita e o enorme desenvolvimento da internet, as transmissões televisivas, a penetração do ‘dinheiro’ no futebol, a hipertrofia da influência dos poderes económicos na comunicação, vieram colocar os media sob grande pressão e acabaram com a independência e a ética.

Mas nem isto explica a indigência, o facilitismo e a irrelevância. Em A Bola de hoje, por exemplo, dois jornalistas que ainda considero respeitáveis, José Manuel Freitas e José Manuel Delgado, enchem dois chouriços, a partir do Brasil, um a falar de vinhos e ou outro de cachaças…

Ou, se calhar, até têm razão…